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quarta-feira, 6 de abril de 2011

FEIRA DA MANAUS MODERNA

Quanto à velha Feira da Manaus Moderna, ponham a mesma mais pra diante, ali pertinho da Feita da Banana, naquela área onde o Serafim, quando foi Prefeito, prometeu instalar o Shopping dos Camelôs

Pois é, a Feira da Manaus Moderna foi instalada provisoriamente naquele local e tudo leva a crer, sem qualquer projeto, havendo somente a preocupação de resolver um problema momentâneo. Com a construção daquele monstrengo morreu parte da história da nossa cidade, os prédios históricos da Escadaria dos Remédios ficaram escondidos e a cidade - construída de costa para o rio, com seu rosto moreno representado, também, pela cidade fluvial mais linda do Brasil - está agonizando à espera de soluções por parte do poder público.

Como Manaus é uma das cidades da Copa de 2014, é preciso tirar esse monstrengo da orla metropolitana da cidade, construindo ali um projeto arquitetônico viável com uma urbe que já tem mais de 2 milhões de habitantes.

Poderá ser construído no local um grande logradouro de lazer ecológico, aproveitando o ar puro do rio Negro, com vegetação própria ao espaço e arquitetura conveniente com o século XXI; não aquelas coisas horríveis neo-coloniais como as plataformas de ônibus do expresso que estão desabando no chão, pondo em risco a vida da população.

Por que não construir no local a “Praça do Pescador” ou a “Praça de Ajuricaba”, com pistas de Cooper e brinquedos infantis? No local poderíamos ainda construir um Mirante com biblioteca, virado para o pôr-do-sol, ou um projeto arquitetônico com dupla face, virado para o amanhecer e vice-versa. São idéias simples e funcionais para ajudar na revitalização do centro histórico de Manaus.

A nossa capital precisa sair da era do gelo, e dar um salto quântico tanto na vida das pessoas como na sua arquitetura, modernizando e civilizando o nosso status quo. Os governantes precisam saber que o conceito político de administrar tem que ter resultantes na práxis, isto é, na realidade da vida comum. Temos que nos atualizar com as conquistas do século XXI, senão vamos ficar para trás.

Quanto à velha Feira da Manaus Moderna, ponham a mesma mais pra diante, ali pertinho da Feita da Banana, naquela área onde o Serafim, quando foi Prefeito, prometeu instalar o Shopping dos Camelôs, com essa medida reduziríamos o engarrafamento de veículos hoje existente no local.

Agora imaginem mês de junho em plena Copa 2014, ocorrer uma enchente tal qual aconteceu em 2008 quando parte da feira da Manaus Moderna ficou submersa. Seria um cartão postal inóspito para os turistas que teriam de caminhar pelas pontes improvisadas de madeira na tentativa de chegar às dependências da feira, um espetáculo humilhante para o povo amazonense, como diria o caboclo Dunga, estivador do Porto de Manaus: “como desgraça pouco é tiquinho”, vamos trazer alguns flutuantes residenciais que estão construídos no igarapé de São Raimundo, nas proximidades da antiga Sucam e instalar na frente ao porto de Manaus.

Então façamos o que tem que ser feito: vamos tirar a estopilha do lindo rosto de Manaus, a quarta cidade mais rica do Brasil.

Por: Paulo Onofre Lopes de Castro

Jornalista (MTb 467)

Militante Político e Social

terça-feira, 5 de abril de 2011

Café do Pina

Alexandre Otto: "Foi nesse ambiente efervescente e renovador que nasceu embaixo do mulateiro, o Clube da Madrugada, o único movimento de renovação cultural que o Amazonas já teve".


Alô Jovem! Era assim o cumprimento do velho Pina, isso antes mesmo dele, que era o dono do Pavilhão São Jorge, pegar no dinheiro do freguês, uma gentileza que hoje não se vê mais em Manaus, a cidade inesquecível do já teve.

O Pavilhão era ali ao lado do quartel da Polícia Militar, situado na Praça Ribeiro Júnior, tenente adepto do tenentismo em Manaus, que em 1924 invadiu o palácio Rio Negro, e depôs o governo corrupto que dilapidava o dinheiro público, num dos mais extravagantes roubos da história do Amazonas. É bom lembrar que o governador nesta época era um desembargador corrupto, figura insólita que suja de lama a idônea história da magistratura amazonense.

Marcado talvez por um nome revolucionário onde o logradouro oferecia o melhor café de Manaus, nasceu a República Livre do Pina, que chegou a ter até a construção de um gasofilácio, na época do Artur Prefeito.

Ali era o centro cultural, social e civilizador de nossa cidade. Freqüentavam o Café religiosamente, intelectuais, magistrados, promotores, procuradores, artistas, políticos e o povo em geral que não ia para casa, sem antes bater um papo com a turma e tomar um delicioso cafezinho.

Foi nesse ambiente efervescente e renovador que nasceu embaixo do mulateiro, o Clube da Madrugada, o único movimento de renovação cultural que o Amazonas já teve.

Acontece que esse logradouro, nunca teve sossego, e várias vezes mudou de localização, indo lá para o outro lado da Praça da Polícia, onde teve incursão o Projeto Jaraquí, movimento onde qualquer pessoa poderia fazer seu pronunciamento, como naquela praça lá em Londres. Depois disso veio o Manoel Pracinha, que reformou a praça, e levou o Café de novo para o local de origem.

Na seqüência, veio o Berinho, como diz seu assessor, e num acesso operístico, transformou o Pina num café de elite, pondo o mesmo lá dentro do Palácio Provincial, que aliás ficou uma beleza. Dr. Robério, ilustre secretário, o senhor é o melhor secretário de cultura que o Amazonas já teve, mas dessa vez o senhor pisou na bola. Quanto ao resto nota 10.

Ainda bem que o Governador Omar Aziz, ouvindo os pedidos do povo, recolocou o Café do Pina lá fora, num atitude esplendida e democrática. É isso aí, Omar, qualquer dias desses, faça como o Amazonino, venha tomar um cafezinho com o povo. Manaus agradece.

Alexandre Otto,

É escritor e membro do Clube da Madrugada

segunda-feira, 4 de abril de 2011

PENITENCIÁRIA RAIMUNDO VIDAL PESSOA “A UNIVERSIDADE DO CRIME”

A Penitenciária projetada para 180 detentos, hoje abriga 980 condenados.

Relembrando um dos maiores filmes de Hollywood de todos os tempos, “Um Sonho de Liberdade”, estrelado por Tim Robins e Morgan Freeman, indicado e ganhador de vários Oscars, quando o personagem principal, mesmo sendo inocente, é condenado a 15 anos de cadeia. Nesse espaço de tempo o preso pratica uma verdadeira revolução dentro da penitenciária do filme, denunciando maus tratos e mostrando os direitos dos detentos. É uma ação dessas que vislumbramos também para a nossa velha penitenciária Vidal Pessoa e para todo o sistema carcerário do Amazonas, que não é diferente do resto do país.

Estamos no século XXI, e a ação prisional é justamente focalizada no resgate pessoal do preso em retornar ao convívio da sociedade como cidadão de bons e novos sadios costumes.

A Penitenciária projetada para 180 detentos, hoje abriga 980 condenados. O sujeito que foi apenado pela prática de pequenos delitos, ao adentrar naquele convívio bronco, composto por estupradores, traficantes, latrocidas e outros desajustados, ao término de sua pena depois de passar alguns anos na “Universidade do Crime”, o detento sai doutor em práticas malignas, isto é, entra ruim e sai péssimo.

O que é pior, a sociedade é quem paga o pato, ou seja, cada detento custa para o estado - no caso o contribuinte - cerca de Cr$ 2.5000,00 (Dois Mil e Quinhentos Reais) por mês, incluindo roupa, comida e cama; um verdadeiro hotel “paradisíaco”, para aquelas pessoas conviverem com suas neuroses e vícios de toda ordem, pois vivem naquele local na total ociosidade, via de regra, sem qualquer atividade física ou intelectual.

Poderíamos criar centros de reabilitação social com práticas agrícolas e formação profissional, no sentido de resgatar o ser perdido que se encontra na alma de todo preso. Uma oportunidade de vida e liberdade para os detentos. Eles produziriam em parte seus alimentos, e ainda participariam dos lucros do Centro Produtor Agrícola, gerando benefícios e ganhando salário pelo trabalho realizado nesse Centro, sem contar que passariam a ter direito remissão da pena.

Vislumbro também que e a Secretaria de Estado de Justiça de Direitos Humanos, viabilize uma parceria com as indústrias do Pólo Industrial de Manaus (PIM), com o objetivo de verificar a possibilidade de as empresas montarem pequenas linhas de produção na área a ser determinada na Penitenciária, com isso seriam geradas renda para o detento que obviamente seria repassado para sua família, quanto ao empresário teria uma redução em seus custos de produção.

A sugestão que faço, quando for desativada a Penitenciária Vidal Pessoa é que se transforme o prédio, em Centro Cultural Integrado, com salão de exposições, biblioteca, videoteca, sala de música, teatro de arena, e salas para vários cursos de formação profissional, inclusive informática e línguas, visando qualificar nossos jovens para a Copa de 2014.

Só assim os ossos do saudoso Vidal Pessoa descansarão em paz, quando o macabro casarão da Avenida Sete de setembro, proclamará a sua independência factual, Libertas Que Será Tamem.

Por: Paulo Onofre Lopes de Castro

Jornalista (MTb 467)

Militante Político e Social