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quinta-feira, 4 de abril de 2013

ÔNIBUS MOVIDO A GÁS PODE BAIXAR PREÇO DA PASSAGEM




O ônibus movido a gás, com capacidade para 42 passageiros sentados e 35 em pé, já começou a circular em Belo Horizonte e São Paulo.
Texto: Vereador Mário Frota*
Se temos gás à vontade, o que está faltando para que esse sistema seja usado no transporte coletivo? Prometo conversar com o prefeito Arthur Neto sobre essa possibilidade.
Até junho ou julho, o Linhão de Tucurui estará chegando a Manaus. Isso quer dizer que, a partir de então, teremos energia em abundância, suficiente para suprir as necessidades da capital do Estado até o ano de 2.025.
E então o que fazer com o gás do Urucu que, para aqui chegar, gastou-se dos cofres da União R$ 5 bilhões?  Além de alimentar algumas poucas turbinas das antigas termelétricas a diesel e alguns poucos carros da frota de táxis que servem à cidade, o que mais fizeram com o gás?
O gás proveniente do Urucu pode, a partir de agora, abastecer não somente a frota de táxis, como o total dos quase mil ônibus que transportam o povo desta cidade. Tecnologia para tal já existe. Vejamos.
Testes com ônibus movidos a gás natural, com absoluto sucesso, vêm ocorrendo em Belo Horizonte e São Paulo, já há algum tempo. Ônibus em teste, de fabricação européia, no caso o Iveco Eurorider, com capacidade para 42 passageiros sentados e 35 em pé, passou nos testes com louvor, recebendo toda sorte de elogios dos técnicos que o experimentaram.
Em países como França, Itália, Espanha e Inglaterra, e nos vizinhos Venezuela, Colômbia e Argentina, esse sistema já é amplamente utilizado no transporte público. O custo operacional pode ser reduzido em até 30%, o que pode reduzir em muito o preço da passagem. Por outro lado, os veículos são bem mais silenciosos do que os barulhentos motores a diesel, sem falar que emitem 95% menos óxido de nitrogênio e 22% menos gás carbônico, esse o grande vilão na destruição da camada de ozônio que protege o planeta.
Ora, se temos gás à vontade, o que então está faltando para que esse sistema seja aqui usado com propósito de ajudar parcela significativa da sociedade usuária desse tipo de transporte coletivo? Além de já haver me manifestado da tribuna, sugerindo a implantação desse sistema em nossa Manaus, prometo pessoalmente conversar com o prefeito Arthur Neto sobre a possibilidade dessa experiência chegar até nossas rua em auxílio ao povo desta Manaus que, nos dias atuais, paga a terceira passagem de ônibus mais cara no País.

*Advogado;
*Líder do PSDB na CMM;
*Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM.     


PREFEITO DE IRANDUBA VIVE INFERNO ZODIACAL

Agora, pasmem! O valor que será pago, segundo os futriqueiros de plantão, é a bagatela de R$ 360.000,00, por mês, com grana oriunda do FUNDEB.
Se estivesse vivo o astrólogo Omar Cardoso, diria: "o Prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros, vive um inferno zodiacal". Primeiro foram os professores que entraram em greve. E, agora, corre à boca pequena no município que a prefeitura de Iranduba fará, nos próximos dias, uma licitação com objetivo de contratar empresas para fazer o transporte escolar.
Agora, pasmem! O valor que será pago, segundo os futriqueiros de plantão, é a bagatela de R$ 360.000,00, por mês, com grana oriunda do FUNDEB.
A pergunta que não quer calar: Os locais a serem percorridos pelo transporte escolar são de grandes dimensões que justifiquem o pagamento deste valor?
Se esta licitação for realizada, e o valor a ser pago se confirmar o CONSELHO MUNICIPAL DO FUNDEB será compelido a pedir ao prefeito que apresente as planilhas de custo, que justifiquem esse valor a ser pago aos empresários. Isso é verba federal. Em caso de indícios de malversação do dinheiro público, cabe uma representação no Ministério Público Federal.
E “para não dizer que eu não falei de flores”, os funcionários da área de saúde do município ensaiam entrar em greve. E haja mesa de negociações. Do jeito vai o prefeito vai jogar a toalha, ou por outra, se tornará um grande negociador. (Por: Paulo Onofre).


segunda-feira, 1 de abril de 2013

PASSANDO O BRASIL A LIMPO: ARQUIVOS DO DOPS SERÃO LIBERADOS EM SÃO PAULO

Governo de São Paulo joga na internet os fichados pelo Serviço Nacional de Informação. Sobre a matéria o governo do Amazonas pouco ou nada faz. O silencia também é cumplicidade.

Edison Veiga

                                        SÃO PAULO - O Arquivo Público do Estado de São Paulo deixará disponível online, a partir da semana que vem, 274.105 fichas e 12.874 prontuários produzidos pelo Departamento de Ordem Política e Social, o Dops-SP (1923- 1983). O material, que equivale a cerca de 10% de todo o acervo, poderá ser acessado no site www.arquivoestado.sp.gov.br.
                                        O Dops paulista foi uma das principais centrais da repressão da ditadura militar (1964-1985), de onde o governo controlava e reprimia movimentos políticos contrários ao regime. O local foi palco de torturas e mortes.
                                        “É apenas o começo. Continuamos o trabalho de digitalização e, nos próximos anos, iremos disponibilizar todo o material”, afirma o coordenador Carlos Bacellar. A divulgação oficial acontecerá em evento na segunda-feira no Arquivo Público do Estado de São Paulo, com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB), palestra e mesa-redonda com especialistas.
                                        O material publicado online facilita o acesso do cidadão à documentação do Estado – das fichas publicadas, boa parte é nominal, ou seja, fichas pessoais –, e ao mesmo tempo abre uma fonte de pesquisa a estudiosos, jornalistas e público em geral. Até agora, era preciso ir pessoalmente ao Arquivo do Estado, no centro paulistano, para consultar esses documentos. Entre os milhares de fichados, há muitas personalidades.

Fonte:  http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,arquivos-do-dops-sobre-a-ditadura-serao-liberados-na-internet-na-segunda-feira,1014478,0.htm


NA PAIXÃO DE CRISTO, OPERÁRIO É SACRIFICADO



E tropeçou no céu como se fosse um bêbado/ E flutuou no ar como se fosse um pássaro/ E se acabou no chão feito um pacote flácido. (Chico Buarque de Holanda)

Ademir Ramos (*)

Tempo é dinheiro. Na pressa de entregar a obra “no prazo religiosamente prometido”, a empresa Andrade Gutierrez faz virada para concluir o Estádio da Copa - 2014, também chamado de Arena da Amazônia, situado na Zona Centro-Oeste de Manaus (AM). Esta intensa jornada de trabalho sacrificou na noite de quinta-feira (28), as vésperas da Paixão de Cristo, o operário Raimundo Nonato Lima da Costa, 49 anos, que teve morte instantânea causada por traumatismo craniano depois de cair de um dos pilares da Arena.
Nome de santo, com certeza de família religiosa, Nonato, como era mais conhecido entre os amigos, dedicava-se ao seu trabalho pensando em celebrar a Páscoa em família, que por maldade ou descaso foram silenciados nos noticiários de imprensa – sem vez e sem voz. Quem era ele? Como vivia? Gostava de futebol ou não? Onde morava? Não interessa. Para Andrade Gutierrez, o que interessa mesmo é o trabalho, é o ritmo de produção acelerado, é a máquina em ação, contanto que a obra não pare e cumpra-se o cronograma definido e sacramentado.
O fato ocorrido parece isolado, mas se computarmos o número de operários sacrificados na construção civil teremos um quadro dantesco. O Nonato é apenas um numa estatística de milhares.
O fenômeno em si é recorrente e histórico. Vejamos, por exemplo, o contexto emancipatório do povo de Deus no Egito, que vivia também sob o trabalho escravo inserido num intenso ritmo de produção tendo por objeto a construção das pirâmides.
A celebração da Páscoa judaico-cristã é este momento litúrgico de profunda reflexão centrada nas lutas sociais; na organização dos movimentos libertários; no combate a exploração do trabalho; nas garantias dos direitos da pessoa humana, a exigir condições dignas de trabalho numa perspectiva espiritual e socialmente justa.
Enquanto a empresa diz lamentar a morte de mais um operário em construção, seus peritos talvez façam de tudo para provar que o fato ocorreu por única responsabilidade daquele que em vida se chamou Raimundo Nonato Lima da Costa. Com efeito, a seguradora não se responsabilizará por indenizar os familiares e se duvidar, ainda irá imputar ao Nonato a pecha de negligente, qualificando o acidente de “falha humana”.
Para os cristãos e aos Bem-Aventurados, neste contexto Pascal, o sacrifício do Nonato é carregado de simbolismo. Acontece numa área esportiva tal como o Coliseu, onde o Papa Francisco, nesta data, celebra a Via Sacra da Redenção. Ocorre também, em regime de trabalho intenso, num canteiro de obra de um megaprojeto tal como o das Pirâmides. E para completar, o operário sacrificado traz em si o nome de um santo que encerra em seu nascimento, o milagre da salvação e quem sabe sirva de luz para o cumprimento da Justiça do Trabalho nas trevas dos canteiros de obra do Brasil.

(*) É professor, antropólogo e coordenador dos projetos Jaraqui e do NCPAM/UFAM.