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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

AÉCIO: ‘VOU FALAR MUITO DE ÉTICA NA CAMPANHA’



Josias de Souza
Num instante em que a penitenciária da Papuda virou um puxadinho da política e o excesso de denúncias parece dividir os partidos em dois grupos —o dos sujos e o dos mal lavados — Aécio Neves declarou: “Eu vou falar muito sobre ética durante a campanha.”
Na noite passada, o presidenciável tucano jantou com um grupo de jornalistas no Piantella, tradicional casa de repastos de Brasília. Recordou-se a Aécio que a reputação do seu PSDB está na bica de descarrilar no escândalo do cartel de trens e do metrô de São Paulo. O candidato tomou distância da carapuça.
“Se tiver alguém do PSDB que cometeu irregularidade, que recebeu propina, se isso ficar provado, tem que ir para a cadeia também”, disse. Indagou-se a Aécio se não receia que o caso interfira na campanha tucana. E ele: “Só se for para quem está envolvido. Para mim? Zero.”
Aécio realçou que o caso do cartel paulista frequenta o noticiário diariamente. A despeito disso, o governador tucano Geraldo Alckmin, candidato à reeleição, “está liderando as pesquisas”. Por quê? “Não é algo que contamine o Geraldo. Ele não é desonesto. Vou duas vezes por semana a São Paulo. Não pega. Ninguém toca nesse assunto.”
E quanto ao chamado mensalão de Minas Gerais, que aguarda na fila de julgamentos do STF? “Vamos esperar até que seja julgado. Creio que muita gente pode se surpreender. Mas se alguém do PSDB cometeu irregularidade, tem que ser punido.”
Aécio espetou o petismo: “Não vamos cometer o equívoco do PT de acobertar, de transformar [julgamento] em coisa política. Isso não tira um milímetro da minha autoridade para falar de ética. Vou falar. Tenho 30 anos de vida pública. Se alguém do PSDB cometeu ato ilícito, vai responder.”
Levado às manchetes pelo delator Roberto Jefferson em 2005, o mensalão não impediu a reeleição de Lula em 2006. Tampouco tirou de Dilma Rousseff a eleição de 2010. Acha que as prisões do generalato do PT podem levar o eleitor a ter um comportamento diferente em 2014?, perguntou-se a Aécio.
E ele: “Não haverá uma resposta eleitoral. Não é porque petistas foram presos que o eleitor do PT deixará de votar no partido. Mas [o caso] tira o discurso do PT.” Ante a observação de que Dilma também poderia afirmar que não compactua com o malfeito, Aécio atalhou: “Será que ela vai falar isso?”
Evocando o noticiário sobre o desagravo que o PT fará aos seus presidiários no Congresso partidário que começa nesta quinta-feira, Aécio emendou um par de interrogações: “Qual é o PT da Dilma? É o PT que a homenageia ou é o PT que faz desagravo, inocentando politicamente o pessoal do mensalão? Ela é refém de uma estrutura. Mas é bom que ela fale também [de ética]. Se ela puder falar.”
Na opinião de Aécio, o eleitor ainda não está interessado na sucessão. Olha para a disputa como quem vê um filme manjado. Por ora, só enxerga Dilma, beneficiada pela superexposição do cargo e pelo excesso de propaganda institucional. O eleitorado só vai reparar nos candidatos de oposição na hora do tiroteio no saloon.
Pretende exibir o discurso ético na tevê já no início da campanha? “Tem que permear a campanha interia”, respondeu Aécio. “Temos um desafio. As pessoas querem mudança. Mas elas olham para o lado e ainda não enxergam a mudança. Vamos mostrar que somos a mudança segura. E isso também inclui falar de ética.”
A conversa de Aécio com os repórteres durou cerca de duas horas e meia. Terminou pouco depois de meia-noite e meia. Descontraído, o presidenciável do PSDB não falou apenas sobre ética. Vai abaixo um resumo do que foi dito:
— O drama da oposição: “Nesse momento, você não tem, nos meios de comunicação de massa, como fazer o discurso de oposição se amplificar. Em 2009, nessa mesma época, o [José] Serra tinha 38%, 40% nas pesquisas. A Dilma tinha algo em torno de 16%, 17%. A Marina [Silva], 6%. O sentimento era de continuidade. Mas a Dilma só empatou com o Serra no final de julho de 2010. Ela teve espaço na tevê aberta. Começou a vestir o figurino da continuidade, de ‘mãe do PAC’, de ‘mulher do Lula’. Hoje, o sentimento é de mudança. Isso não vai ser revertido. Será ampliado. A tendência é de que o monólogo de hoje dê lugar ao contraditório. Vai se beneficiar quem tiver a capacidade de vestir esse figurino da mudança.”
— Cenário de segundo turno: “Quem faz análise hoje prevendo uma eleição de primeiro turno diz bobagem. A tendência de ter segundo turno será crescente. Fui candidato à reeleição [no governo de Minas Gerais]. Isso que está aí, para vencer no primeiro turno, é muito pouco. E quem for para o segundo turno tem uma chance enorme de ganhar a eleição.”
— Fim de ciclo: “Estamos vivendo um fim de ciclo. Por quê? A presidente fará uma campanha na defensiva. Será defensiva na questão da economia, defensiva na questão das entregas [de obras]. Não tem nada estruturante para ser entregue. A marca da ineficiência vai crescer durante a campanha.”
— Mais Médicos: “É um ativo que eles têm. Mas não do jeito que está: Mais Médicos, com menos dinheiro para a saúde. Queremos muito mais médicos de qualidade. Vamos falar sobre isso. Queremos que os médicos cubanos continuem no Brasil, que venham profissionais de outros países. Mas queremos pagar diretamente para eles. Queremos pagar R$ 10 mil, não R$ 1.500. Eu reformularia esse contrato. Não faria contrato de novo com essa Opas [Organização Pan-Americana da Saúde]. Contrataria diretamente os médicos que quisessem permanecer no Brasil.”
— José Serra: “Vamos fazer do limão uma grande limonada, porque o partido vai estar unido. Acho março um belo momento para nos apresentarmos, dizendo com clareza qual o papel de cada um. Depois do Carnaval. Temos conversado. Se ele estivesse viajando para falar bem do governo, me preocuparia. Acho que soma. Não tenho dúvida de que estaremos juntos.”
— A acusação de que fez corpo mole na campanha de Serra em 2010: “Isso é uma lenda difundida por quem não acompanhou a campanha em Minas. Não tem conexão com a realidade. O Serra ganhou em Belo Horizonte, contra a Dilma, que nasceu na cidade. Por quê? Fiz telemarketing: ‘boa noite, aqui é o Aécio Neves…’ Fomos ao limite das nossas forças. Se eu tiver em São Paulo o mesmo empenho que tivemos em Minas, vamos ganhar essa eleição.”
— Se for ao segundo turno, está seguro de que Eduardo Campos o apoiará? “Estou cada vez mais seguro, por uma razão lógica. Eduardo não conseguirá fazer uma campanha que não seja de oposição. Não teria lógica. Economia, está bom ou ruim? Não tem mais ou menos. Está ruim. Infraestrutura, como está? Péssima. Se ambos estamos no campo oposicionista, se estamos negociando composições nos Estados, creio que vai haver uma convergência natural. Nós, naturalmente, apoiaríamos. Não vamos fazer isso porque acredito que estaremos no segundo turno.”
— Decálogo: “Temos uma travessia no deserto para fazer. Vou lançar na terça-feira (17) um conjunto de diretrizes. Vamos mostrar quais são as questões essenciais. É mais do que um conjunto de princípios. É um conjunto de prioridades.”
— Herança maldita: “A herança, para qualquer um que ganhar as eleições será muito alta em 2015. Temos noção disso.”
— Nata do PIB: Participo nesta quinta-feira, em São Paulo, de um jantar com cerca de 30 grandes empresários. Vou acompanhado do Fernando Henrique, do Armínio [Fraga, ex-presidente do Banco Central], do senador Aloysio [Nunes Ferreira] e do Antonio Anastasia [governador de Minas]. Na semana passada, jantei com um grupo restrito de representantes do agronegócio. Tive também um encontro com ambientalistas. Na segunda-feira, faremos outro grande encontro com empresários do Rio de Janeiro, organizado pelo Armínio Fraga.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

APRENDIZ DE PREFEITO, XINAIK COPIA NONATO, DÁ CALOTE NA UNINORTE E NOME DOS ESTUDANTES VAI PARA O SERASA




O atraso desses pagamentos junto à Uninorte vem desde os tempos do ex prefeito Nonato Lopes, o que demonstra que o vice governador, José Melo, estava com razão quando disse que Xinaik era aprendiz de prefeito. Ele copia até os erros de gestões passadas. Um verdadeiro vexame como administrador.
 Mais uma vez o prefeito Xinaik Medeiros deixou de fazer o pagamento das mensalidades dos estudantes universitários da Uninorte, que receberam bolsa de estudos da prefeitura de Iranduba.
Resumo da ópera: devido a inadimplência da prefeitura, a Uninorte mandou relacionar o nome de todos os estudantes e encaminhou  para o cadastro de maus pagadores e seus nomes foram parar no SERASA e SPC e, agora, estão impedidos fazer compras a crédito até que o impasse seja resolvido.
No início do ano o prefeito Xinaik, fez um acordo com a Uninorte para efetuar o pagamento parcelado do débito já existente, mas o acordo não foi cumprido e a dívida antiga acumulou com a do ano em curso.
Ontem, um dos acadêmicos da Uninorte, foi pego de surpresa quando tentou fazer compras em uma loja ao centro comercial de Manaus. Lá ele foi informado que seu nome estava impedido de compras no crediário.
O atraso desses pagamentos junto à Uninorte vem desde os tempos do ex prefeito Nonato Lopes, o que demonstra que o vice governador, José Melo, estava com razão quando disse que Xinaik era aprendiz de prefeito. Ele copia até os erros de gestões passadas. Um verdadeiro vexame como administrador!
Agora, os estudantes terão que esperar a boa vontade do prefeito de Iranduba para efetuar o pagamento do débito para poder ter seus nomes retirados do SPC e SERASA. (Por: Paulo Onofre).

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O ATIVISMO CIDADÃO



 

Estas manifestações primárias pouco a pouco vão ganhando força, principalmente, quando esta é catalisada por lideranças políticas moralmente responsáveis e politicamente sob controle das forças populares e do movimento social.

Ademir Ramos (*)
A política é uma Deusa bem dotada a exigir das pessoas participação, relação, cumplicidade e domínio de si mesmo frente aos desafios que a sociedade apresenta. A todo o momento a pessoa é posta a prova, contrariando ou não a sua vontade, devendo se manifestar para garantir ou fazer concessão quanto a determinado direito que lhe é intrínseco ou socialmente conquistado. Em não fazendo torna-se fragilizada, permitindo que o outro se imponha pela retórica ou pela força. Pode parecer fácil, mas, para aqueles (as) que sonham e lutam por ideais coletivos e sociais a participação faz-se necessária para validação do direito como instrumento de cidadania.
A participação evoca relação, disputa para se garantir o direito e consequentemente afirmação e reconhecimento do interesse público. Esta manifestação é socialmente determinada, agregando forças originárias de variados segmentos sociais e econômicos vivenciados por atores que sofreram e sofrem violações em seus direitos fundamentais. Essas pessoas por algum momento sentem-se desprotegidas e impotentes não tendo a quem recorrer para ecoar o seu grito de protesto e de indignação. Alguns passam a desacreditar nas instituições e buscam resolver os seus problemas de forma individual e particular, posicionando-se indiferentes as questões sociais que mutilam milhares de homens, mulheres, crianças e jovens, quando não, aceita a condição de subalternidade satisfazendo-se muito mais com os favores porque são imediatos do que com o direito a ser conquistado e assegurado por meio das lutas sociais.
O ativismo cidadão é o estranhamento que essas pessoas provocam em si e no outro quando concebem e percebem que há entre eles uma liga capaz de mover a si e o outro para o enfrentamento contra o Estado e os seus agentes públicos pelo não cumprimento dos direitos constitucionais; contra os políticos profissionais que usam da política para beneficio próprio; bem como também contra o poder judiciário que se deixa corromper por vendas de sentenças, obliterando a Justiça para que a impunidade reine e o crime prevaleça.
Nesta perspectiva, as manifestações de rua têm servido para demonstrar esta força. Assim como também as barricadas que as populações periféricas das grandes cidades têm armado nas ruas, ateando fogo em objeto inflamável, para denunciar os desmandos e descasos que afetam diretamente essa gente que reivindicam segurança efetiva, água e luz para todos, educação e saúde de qualidade, moradia e empregabilidade, acesso a cultura, entre outros direitos violados.
Estas manifestações primárias pouco a pouco vão ganhando força, principalmente, quando esta é catalisada por lideranças políticas moralmente responsáveis e politicamente sob controle das forças populares, visto que o mandato não é nem do candidato, nem do partido, mas sim do povo. Para tal fim é necessário que o ativismo se converta em organização, em prática estruturante agregando força, coragem, saber e domínio estratégico para interver na política como agente coletivo propositivo assentado legitimamente nas estruturas colegiadas das comunidades e das demais representações sociais que juntos lutam contra a corrupção, a impunidade, a desigualdade e Justiça Social.    

(*) É professor, antropólogo, coordenador do projeto Jaraqui e do NCPAM-UFAM.