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sábado, 21 de agosto de 2010

AMAZONINO VAI CRIAR UMA ESTATAL PARA ADMINISTRAR O TRANSPORTE EM MANAUS.


Todos ficaram surpresos com o anúncio do Prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, que irá criar uma empresa estatal, com objetivo de coordenar o transporte de passageiros na cidade. Para instalar a nova Empresa de Transporte Urbano, segundo afirma, recebeu o sinal verde do ministro das Cidades, Márcio Fortes. Essa estatal contará com as benesses da Caixa Econômica Federal que investirá inicialmente RS 200 milhões, oriundos do fundo de garantia, por meio do pró-transporte que, segundo o ministro, permite que empresas públicas ou privadas tomem recursos da Caixa para aquisição de material rodante.

Perguntado ao Prefeito se esses benefícios terão abrangência em todos os municípios que compõe a região Metropolitana de Manaus foi enfático: “Essa Região Metropolitana não existe, inventaram essa história; além de ser uma forma de invasão de competência, ou seja, o Governo do Estado criou a idéia com objetivo de se intrometer na administração municipal”.

O Prefeito de Manaus espera somente encerrar o processo eleitoral para travar uma guerra contra o Governo do Estado, uma vez que é contra a implantação do monotrilo, projeto capitaneado pelo atual Governador, que passa por várias dificuldades para a implementação porque o Ministério Público e o Ipahan questionaram alegam que a obra vai passar por dentro do sitio histórico de Manaus.

Por outro lado, Amazonino Mendes deverá travar outra luta, pois a instalação da estatal do transporte deverá ser autorizada pela CMM (Câmara Municipal de Manaus), onde acredita que não terá grandes dificuldades para aprovar o projeto uma vez que a maioria dos vereadores é de sua base aliada. Pergunto-me: será que a solução para resolver o problema do transporte de massa em Manaus, passa somente pela criação de uma estatal? Se assim o fosse acredito que todas as grandes cidades que enfrentam problemas similares ao nosso teriam caminhado rumo a esta solução.

O que me surpreende dessa história toda é que num passado recente o senhor Amazonino, à época Governador do Estado, dizia-se favorável a privatização, tanto que de uma tacada só vendeu o Banco Estado do Amazonas e a Cosama. Na ocasião justificou que o estado era um péssimo gestor e que estas atividades eram da iniciativa privada. Anos depois muda da água para o vinho e fala em estatização. A única explicação que encontro é que o espírito stalinista baixou no prefeito, uma vez que, quando era jovem, foi militante comunista e, por conta disso, dizem seus contemporâneos, esteve preso na época da ditadura militar.

Se o prefeito está certo, ou não, somente o tempo dirá. O que a população não pode é ficar refém das medidas mirabolantes que são tomadas por cada prefeito que assume a cidade. Não nos esqueçamos do ‘Expresso do Alfredo’ que até hoje a população continua sendo vítima de um projeto que não deu certo. Enquanto isso o povo espera pacientemente por uma solução, sendo transportados em ônibus velhos como se fosse sardinha em lata. Esses ônibus quando não dão prego, pegam fogo e os passageiros têm que sair correndo para não morrerem carbonizados: isto acontece em Manaus, a Capital do Estado do Amazonas, que detém o quinto PIB do país.

Finalizando: se a estatal não conseguir atingir os objetivos para os quais foi criada, com certeza servirá de um belo cabide de emprego para cabos eleitorais do prefeito e apaniguados de políticos e, com certeza, será a próxima estatal a ser privatizada pelo AMAZONINO, fica aqui o meu grito de alerta.

Por: Paulo Onofre

Administrador em Gestão de Segurança Pública


MANAUS MODERNA: UMA BOMBA RELÓGIO PRESTES A EXPLODIR


Há alguns anos tenho observado o tumulto que os passageiros enfrentam ao aventurar-se em viajar de barcos regionais na nossa região, saindo da Manaus Moderna. Na manhã do dia 12 de agosto, nossa cidade foi tomada por notícias veiculadas nos meios de comunicação que a ATRAC (Associação dos Armadores do Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas) e outras 15 entidades que representam os trabalhadores da Manaus Moderna, realizaram uma manifestação que objetivava reivindicar melhorias no local, como a construção de um terminal hidroviário. Durante a manifestação, que começou por volta das 07h30, os manifestantes tentaram, por duas vezes, impedir a passagem de veículos pela Avenida Lourenço Braga, complicando ainda mais o trânsito que já é caótico no local.

Como parte dos protestos, trabalhadores da Manaus Moderna pararam as atividades de vendas de passagens a partir das 09h30, suspenderam a saída de barcos e retiraram por algumas horas as pontes colocadas entre as escadarias e as balsas, que dão acesso aos passageiros às embarcações. Mesmo assim várias pessoas tentaram passar, de qualquer forma, se equilibrando em cordas e pedaços de madeira improvisados, ou mesmo usando canoas para chegar às embarcações.

A manifestação prosseguiu até as primeiras horas da tarde, quando algumas embarcações que estavam ancoradas saíram do porto da Manaus Moderna e do porto privatizado e foram para o meio do rio, buzinando em sinal de protesto. A presidente da ATRAC enfatizou, em alto e bom tom, que os trabalhadores estavam cobrando das autoridades, há muito tempo, as melhorias que precisam ser feitas no porto. “Demos um voto de confiança ao Prefeito e ele nos retribui com repressão mandando a polícia impedir nosso protesto como se fôssemos bandidos”, recrimina.

As entidades envolvidas no protesto avaliam que 280 mil pessoas circulam pela Manaus Moderna, mensalmente. Os representantes dos trabalhadores afirmam que desde o início deste ano, a prefeitura vem sinalizando que quer retirar as balsas onde aportam os barcos, mas o Poder Executivo Municipal e os armadores nunca chegaram a um consenso.

Fala-se a boca pequena que a atitude do Prefeito tem somente um objetivo: retirar os barcos da Manaus Moderna, obrigando-os a ancorar suas embarcações no Porto Privatizado de Manaus, mas os armadores alegam que as diárias cobradas naquele local são exorbitantes - para não dizer proibitivas -, inviabilizando assim qualquer possibilidade da transferência dos barcos para o porto privatizado, que hoje é administrado pela família Di Carli, agraciada com a concessão por um período de 30 anos, quando Amazonino Mendes era Governador do Estado. Tudo leva a crer que tem alguma coisa estanha neste negócio, que deve ser investigada pelo Ministério Público.

Enfim, faz uma década que venho sugerindo a vários políticos, inclusive do partido em que sou filiado, o PDT, que a solução para o problema de ancoramento dos barcos regionais está na implantação de uma estação hidroviária onde funcionou a antiga SIDERAMA. Justifico a proposta porque mais de 65% dos usuários deste tipo de transporte residem nas Zonas Leste e Norte. Como diz um velho amigo: ‘não esquenta a cabeça que tudo será resolvido. Não esqueças que seremos uma das sub-sedes da Copa do Mundo em 2014, então vamos ter fé em Deus e pedir que a Copa não demore a chegar’.

Enquanto a solução não chega faço uma sugestão aos passageiros que enfrentarão a maratona para adentrar nos barcos: participem de um curso rápido de contorcionismo e de equilibrista para facilitar o acesso dos mesmos nas embarcações. O valor das aulas está incluso no preço da passagem, e feliz viagem! Epa, ia esquecendo, quem sabe sem querer o passageiro encontrou uma nova profissão já que os circos cada vez ficam mais raros por falta destes profissionais.

Por Paulo Onofre

Administrador de Gestão e Administração em Segurança Pública

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Estação hidroviária na área da antiga SIDERAMA


Cerca de noventa por cento das pessoas que chegam ou saem de Manaus fazem isso através das águas, hoje este fluxo está concentrado na Manaus Moderna, nome até contraditório tendo em vista a forma precária como as pessoas são obrigadas a embarcar e desembarcar dos barcos lá encostados. Há quem, por generosidade, chame aquilo de porto, o que de fato não é porque está funcionando, na verdade, como um “atracadouro”, em que passageiros e carregadores batem-se uns contra os outros, desviando-se das cargas colocadas ao chão, equilibrando-se na hora de embarcar ou desembarcar em pranchas improvisadas de madeira. Um cenário que é um misto de desconforto e insegurança.
O cidadão coitado! Necessita se submeter a estas condições, pois na grande maioria dos casos a viagem de barco é a única alternativa, ou por conta do preço da passagem, ou por ser a única forma de se chegar ao destino pretendido. O poder público por sua vez, se mantém inoperante ante a esta situação, deixando as pessoas que dependem do transporte fluvial entregues a própria sorte.
Pensando nesta situação, venho a alguns anos, juntamente com o vereador Mário Frota (PDT), amadurecendo uma idéia que dividi com meus colegas de partido, que é a criação de uma estação hidroviária na área da antiga SIDERAMA. Este local seria estratégico, uma vez que a maior parte dos passageiros que se utilizam da Manaus Moderna são moradores de bairros compõe as zonas leste e norte mais próximos da área da SIDERAMA do que do centro da cidade.
Não esqueçamos de um ponto importante deste projeto que será a revitalização dos galpões do antigo CEASA. Não tenho dúvidas que os empresários que hoje tem suas atividades comerciais nas áreas conhecidas como “Escadaria dos Remédios e Manaus Moderna”, por certo migrarão para o CEASA, criando assim, trabalho e renda para os moradores dos bairros adjacentes. Outro ponto que deve ser observado será a redução do fluxo de veículos do centro da cidade, acabando, por fim, com aquele cartão postal inóspito que é a MANAUS MODERNA, que tanto envergonha o povo amazonense.
Naturalmente seriam necessários alguns ajustes nas linhas de ônibus e talvez até a criação de uma linha específica, mas nada que onerasse tanto, tendo em vista o ganho que se teria em conforto e segurança.
Outro ponto importante é que a construção de uma estação como esta não tem orçamento muito elevado, uma vez que não se necessita do mesmo aparelhamento que um porto que se presta a carga e descarga de navios. Sob o ponto de vista técnico nada desqualifica aquela área para a finalidade de uma estação hidroviária, pois apesar de naquele ponto o rio possuir baixo calado (segundo a marinha de 5 a 7m), para embarcações com finalidade somente de transporte de passageiros seria o suficiente.
O que falta então? É o que também me pergunto há alguns anos, pois não é possível que nossos governantes não tenham enxergado até hoje a necessidade de uma obra como esta, para que se possa retirar nossos irmãos, que dependem do barco como transporte, da situação humilhante e indigna que se encontram hoje.
Por: Paulo Onofre

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Passamos vergonha no ENEM

As notas do ENEM não mentem quanto a qualidade da educação pública em nosso estado, temos hoje um dos piores desempenhos do Brasil. Só para se ter idéia a escola estadual amazonense melhor colocada no Ranking do ENEM, o colégio militar da polícia militar, ocupa a colocação 3.422, ficando atrás de escolas estaduais da Bahia, de Pernambuco, e do Ceará . Sem falar na escola estadual indígena Dom Pedro I, localizada na zona rural do município de Santo Antônio do Içá, no alto Solimões, que teve a pior nota dentre todas as escolas brasileiras de ensino médio. Este resultado esfrega em nossas caras a situação vergonhosa da escola pública amazonense, que vem historicamente sofrendo com o descaso e o despreparo de governantes que não olhar dignamente para a educação.
É preciso que se modifique urgentemente a política educacional do nosso estado, mas não de maneira superficial como vem sendo feito, mas de forma profunda, objetiva e planejada, olhando-se o máximo possível de aspectos envolvidos: estrutura das escolas, remuneração dos professores, material didático, tempo de permanência na escola, relação escola-comunidade, dentre outros. Tomemos como exemplo a Coréia do sul, que após a guerra alavancou em algumas décadas a sua educação para o patamar das 20 melhores do mundo, seguindo uma receita fácil que se baseou em três pilares fundamentais: a escola de período integral, a valorização dos professores e o investimento em infra-estrutura das instituições de ensino. Modelo parecido é também adotado na Finlândia que hoje é segundo o PISA a melhor educação do mundo, com a diferença de o ensino lá ser totalmente custeado pelo estado, das séries iniciais até a pós-graduação.
Espero sinceramente que nesta eleição que se aproxima tenhamos candidatos com propostas concretas para a área de educação, para que não passemos outra vez pelo vexame a que fomos submetidos este ano, que isto tenha servido de lição inclusive para o eleitor na hora de votar.
Um abraço