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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Um hóspede entre o Inferno e o Paraíso

Alexandre Otto  - Escritor e fundador do Clube da Madrugada

(pequena crônica melancólica para Iranduba)

Quando saltei da balsa Boto Navegador, ainda meio atordoado com a fedentina terrível que exalava dos banheiros fétidos da embarcação, fratura logística que até hoje obriga o usuário das balsas a carregar nos pulmões aquele putrefato bafo do interno, mesmo assim pisei no solo verdejante de Iranduba, trazendo a tiracolo o Movimento Terceira Via, para ajudar o povo irandubense no exercício de sua cidadania e também ajudar politicamente algum candidato a prefeito do município dos sítios arqueológicos.
Assim, primeiramente conhecemos o Ednor Pacheco, que foi o melhor presidente que passou pela Câmara Municipal de Iranduba (CMI), segundo comentários populares, pois o mesmo construiu a nova sede da instituição, tendo como resposta amarga e insólita do povo, um não irreconhecível da população, que o procurava todos os dias às centenas para pedir-lhe benesses e favores. E o Ednor dentro das suas limitações presidenciais, atendia essas pessoas, com aquele sorriso amigo de sua careca bondosa e reluzente.
‘Amor com amor se paga’, mas a população entendeu que a Câmara era muito pequena pro Ednor, e que um dia ele seria prefeito de Iranduba, quem sabe? Uma coisa é certa, como Deus, o povo escreve certo por linhas tortas, e eu acredito que o nosso Ednor, num futuro próximo, será inevitavelmente prefeito. Basta se candidatar.
Pois bem. Logo em seguida conversamos com o Chico Doido lá na Fundação do Modesto, quando acertamos com o mesmo a parceria à eleição que não deu certo, pois o Chico saiu com outros parceiros, que infelizmente trouxeram-lhe a derrota. E ele era o grande favorito eleitoral.
Aí fechamos com Nonato Lopes uma coligação tecnológica de militância. E eu comandei a Terceira Via em Iranduba, com militantes eleitorais, quando vistamos mais de 6.000 residências, além do povo do Lago do Limão e Jandira, como também Cacao e Mutirão.
Observei que o Nonato tinha muitas obras e o povo não sabia disso, nem a coordenação de sua campanha (sic). O Benayon que era o coordenador geral da Terceira Via, fez um jornal mostrando o trabalho do Nonato, como o maior prefeito do interior do Amazonas. E eu fui de casa em casa com nossos militantes, mostrando pro povo essa verdade, e foi assim que derrotamos o Chico, cuja eleição era certa, pois além de ser o líder do povo irandubense, era o favorito nas pesquisas.
Mas apesar do gigantesco trabalho do Nonato, faltava muita coisa ainda na cidade, por exemplo, bem ali na cara da prefeitura, a Praça dos Três Poderes, continua até hoje completamente abandonada, apenas com alguma “maquiagem de resíduos”. Um absurdo, e bem no coração da cidade.
A casa do Idoso era outro descaso também no abandono.

Quanto à educação, fiz uma entrevista com uma jovem que tinha segundo grau completo, e entreguei-lhe algumas perguntas sobre o que faltava na sua cidade. Pasmem! Ela respondeu por escrito exatamente com estas palavras:
“FALTA TAPAR OS BURACO E COLOCAR LUZ NOS POSTES”.
Depois dessa fratura terrível e incidental da educação no município, eu levei uma queda do telhado do Comitê da Terceira Via onde eu morava. Imóvel no chão e vendo estrelas, pela queda sofrida, fui socorrido pelas vizinhas (uma senhora de idade muito distinta e uma moça linda, que me levantaram do chão, e me levaram até o Posto de Saúde. Chegando lá, fui medicado pela doutora presente, mas não pude tirar a radiografia, pois segundo a médica, o Posto não tinha esse loquaz recurso.
E fiquei uma semana, liso e doente, sobrevivendo à custa da senhora idosa que me dava o café e almoço, e da moça bonita que mandava o sobrinho apanhar um balde de água, para eu tomar agoniadamente o banho diário, pois a porrada foi seca e eu mal me mexia na cadeira de executivo onde eu dormia sentado. Se não fossem essas duas pessoas irandubenses, eu teria me lascado. O povo de Iranduba é bom.
Agora quanto aos políticos, só o Cristóvão me visitou. Pedi-lhe 500 pratas emprestados e ele me deu 30. Agradeci mesmo assim.
Todos sumiram. E eu fui o cara responsável pela vitória do Nonato. Sem eu no campo eleitoral, e o comando do Benayon, o 15 jamais teria ganho a eleição. Ando ainda com a minha bengala londrina, mas segundo o meu médico, daqui há um ano, eu vou larga-la.

Um meu amigo ex-senador replica: - Otto, não liga, eles sofrem de amnésia.

E eu que poderia estar morto, pois levei uma queda de 9 metros de altura e com 70 anos, converso aqui com a minha amante bengala, uma chinesinha adorável, e digo bem baixinho no ouvido torto dela: Isso até parece que foi paga do Chico Doido.
Por: Alexandre Otto
Escritor e fundador do Clube da Madrugada


UM EXEMPLO DE VIDA

Francisco Borges que, para os jovens, serve de paradigma
Nascido em Manacapuru no ano de 1944, veio para Manaus aos 18 anos para servir ao Exército Brasileiro, bem no início da revolução e, após cumprir seu período na caserna deu baixa, ficou desempregado. Naquela época havia duas opções de trabalho: no comércio ou nas tecelagens de juta que eram os grandes empregadores em Manaus.

Após várias tentativas infrutíferas de conseguir trabalho - sua maior dificuldade foi a baixa escolaridade uma vez que não conseguira concluir a quinta série primária - restou naquele momento a alternativa de executar serviços em residências dos abastados empresários desta cidade; ora limpava o terreiro como eram chamados os quintais e, às vezes, fazia a limpeza na parte interna das residências, foi assim durante quase sete anos.

Aos 25 anos decidiu enveredar por outra atividade e com as economias feitas no período, colocou um pequeno comércio no bairro de Santo Antonio, onde ficou trabalhando pelo período de dois anos, em seguida mudou-se para o Beco Boa Sorte, no então bairro da Matinha, hoje Presidente Vargas.

Casou-se e, após alguns meses, trouxe para Manaus seus pais e os oito irmãos por entender que Manacapuru não oferecia oportunidade de emprego aos seus familiares. Naquela época a capital vivia o boom da Zona Franca e a família foi ficando numerosa. Eram 17 pessoas morando numa casa pequena e a cozinha, menor ainda, ele relembra sorrindo: “Na hora do almoço a gente dividia a família em três turnos que comiam em horários diferentes”, relembra o protagonista desta história.

A família foi aumentando e com ela as despesas. Então decidiu deixar a mulher trabalhando no pequeno comércio e foi tentar a sorte vendendo verduras e frutas na feira da escadaria dos remédios.

Nosso personagem logo mostrou junto aos seus colegas que era um líder, tanto que em 1972, foi escolhido por seus companheiros da Feira do Arteiro, para ser o delegado sindical, junto ao Sindicato dos Feirantes, que foi o primeiro passo para assumir a presidência da entidade.

Depois de ficar viúvo e

Hoje, depois de ficar viúvo, aos 67 anos, há 28 trabalhando como segurança da Câmara Municipal de Manaus (CMM), decidiu dar uma guinada de trezentos e sessenta graus em sua vida ao voltar a estudar. Seu objetivo, nos próximos anos, é ingressar em uma Universidade. Quando lhe é perguntado qual a área que pretende se especializar, sorri de forma encabulada e diz que vai ser advogado.

E sua história não acaba por aqui. Incentivado pela família e apoiado por amigos, pretende concorrer à presidência do Sindicato dos Feirantes. Abordado sobre o assunto ele diz que vai depender dos companheiros por que ele está disposto a enfrentar mais essa etapa de luta.

Este relato é parte da vida de meu amigo Francisco Borges que, para os jovens, serve de paradigma, parabéns!

Por: Paulo Onofre

Jornalista (MTb 467)

Analista Político e Social

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Porque não aceitamos Amazonino

"Como é que nós perdoaríamos o Amazonino
pelo desserviço que está prestando a sociedade".
É possível mesmo numa junção esdrúxula, juntarmos Ataualpa e Pizarro, Putin e Kadhafi, ou numa hiper-realista produção híbrida reunirmos num mesmo palco, Frank Sinatra e o campeão de acessos da Internet, Lacraia, ambos saudosos artistas, cada um com seu público de milhões de pessoas. Tudo bem. Tudo é possível, até o conde Drácula se apresentar no Hermoan como doador de sangue.

Agora aceitar o Amazonino no PDT, não dá. De jeito nenhum, por mais que o prefeito de Manaus, puríssimo caboclo como todos nós amazonenses, não dá. Justamente porque o PDT é óleo de copaíba legítimo, e jamais haverá fusão de duas matérias antagônicas.

É preciso entender que nós pedetistas, sempre o combatemos de todas as formas legais e democráticas. Por isso agora aceitá-lo em nossas lides como um companheiro de luta torna-se um imbróglio impossível de engolir.

Será que Deus se sentaria ao lado de Satanás, mesmo sendo o Senhor da compaixão, e o perdoaria como se nada tivesse acontecido com a humanidade, simplesmente porque os evangelhos ensinam perdoar 70 setenta vezes 7, os nossos inimigos, e adversários do bem.

Ora, amigos, se Deus não consegue perdoar o Diabo, como é que nós perdoaríamos o Amazonino pelo desserviço que está prestando a sociedade Manauara, reconheçamos que em um passado recente ele foi líder do povo, e por isso eleito. O povo de Manaus até as últimas eleições confiava no velho político. Mas nós do PDT temos restrições quanto a forma de administrar o velho político. E estamos conversados.

Agora se o povo cansou de ser traído pelo líder, e em 2012 vai dar o troco que deu ao Serafim, que era honesto e transparente, segundo suas contas na Internet, aí é outra história.

Acontece, Manaus, que o PDT já tem seu candidato à prefeito, o ex-senador Jefferson Praia, professor universitário e economista, um cidadão filha limpa, como todo e bom amazonense varonil.
Paulo Onofre
Membro da Executiva do PDT/Am





ESTÃO VENDENDO O PDT


Stones Machado (ao centro) que queria dar uma pernada em Jefferson Praia (à direita) para nomear Dermilson Chagas no lugar de Alcino Vieira (à esquerda), para a Superintendência Regional do Trabalho (SRT).

Durante a coletiva de imprensa, realizada ontem (1º de junho), solicitada pelo ex-senador Jefferson Praia, presidente da Executiva Estadual do PDT/Am, foi desmentido o ingresso do prefeito Amazonino Mendes na agremiação pedetista. A coletiva tinha o objetivo de esclarecer noticiários que já davam como certa a filiação do prefeito.

Após o desmentido, Jefferson Praia anunciou que dos quinze membros da Executiva do PDT, doze eram desfavoráveis a filiação de Amazonino. No final da reunião foi franqueada a palavra a Dermilson Chagas – representante do grupo liderado por Stones Machado - que, dentre outras coisas afirmou de forma categórica que seu grupo era favorável a filiação do Prefeito.

Fiquei surpreendido com a posição do companheiro, pois num passado não muito distante (em 2010) esse grupo era indiscutivelmente contra o ingresso do velho político em nosso partido. Nessa época os motivos que esse grupo alegava estavam consubstanciados em fatos e bradavam em alto e bom tom, para quem quisesse ouvir, que o PDT não tinha condições de acolher um político retrógado, em final de carreira, cuja administração era um caos, sem contar que o prefeito respondia a mais de duzentos processos, conforme uma relação que tinham em mãos que, segundo eles, obtiveram pela Internet.

Hoje, para minha surpresa, esses dois companheiros querem entregar o partido a todo custo para o velho político. Então, fiquei a me perguntar o motivo desta mudança da água para o vinho. Será que este senhor, que administra nosso município, deu uma guinada de 360° o que fez com que os nossos companheiros mudassem de opinião ou eles foram iludidos pelo canto da sereia?

Para nós que tivemos Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Alberto Pasqualino e o saudoso Jefferson Peres como paradigmas de honradez é difícil aceitar esse insólito desfecho de ter Amazonino em nosso partido. Acredito que o Stones Machado esqueceu das lições emanadas por esses líderes pedetistas quando diziam que o PDT não aceita em suas fileiras políticos acusados de práticas ilícitas, e enfatizavam: “Vamos crescer de forma vagarosa, mas firme, tanto que para qualquer pessoa ingressar em nosso partido tem que passar por um crivo - uma forma que encontramos de inibirmos políticos malandros de se filiarem em nossa agremiação”.

O Dermilson, ao falar por meio da mídia que partido está abandonado no interior, demonstra que está com amnésia ou usando de má fé, pois em fevereiro de 2008, em reunião com o falecido senador Jeferson Peres, foi passada a incumbência para o Stones cuidar dos diretórios do interior, trabalho o qual me propus a ajudar. Fizemos então visitas a oito municípios, foi então que ele (o Dermilson) passou a participar das viagens, acompanhando-nos. Desde então o Dermilson e o Stones, ficaram responsáveis pela regularização das Comissões Provisórias do interior.

Nas últimas eleições o Dermilson foi candidato a deputado estadual e teve uma boa votação no interior, graças ao trabalho que foi feito para reorganizar o PDT, nos municípios.

Por outro lado, quando o Dermilson alega pela imprensa que não convidamos os vereadores e membros dos diretórios do interior para eventos do partido, ele volta a faltar com a verdade, esquecendo que em 2008 fizemos um encontro na Escola de Magistratura do Amazonas e, em 2009, realizamos outra reunião com os pedetista, desta vez no Hotel Taj Mahal, com a presença do ministro Carlos Luppi, presidente do partido. Somente para lembrar, estava previsto para fazermos um Seminário em maio do ano passado do qual participariam todos os membros das executivas do interior e o Dermilson sugeriu que não fizéssemos esse encontro uma vez que estávamos próximos da Convenção que escolheria o candidato que iríamos apoiar para o Governo do Estado.

A conclusão que chego é que o Stones, nosso velho militante pedetista, fundador do PDT no Amazonas, que no passado foi sindicalista e hoje é empresário, não absorveu as três derrotas que teve para o Jefferson Praia, e pensou lá com seus botões: “Vou dar uma pernada no Praia”. Então de forma maquiavélica arquitetou o plano e se aproximou do prefeito, assumindo o compromisso de viabilizar com a Executiva Nacional seu ingresso em nossa agremiação. O Stones já usou desta mesma artimanha para filiar um determinado político que foi rejeitado pela executiva do PDT/Am.

Com a entrada de Amazonino e a saída de Praia e Mário Frota do PDT, a presidência do partido fica com o caminho livre. “Assim terei mais chances de concretizar o meu sonho que é chegar à presidência do PDT”, pensou Stones. Mas pensou de forma errada porque, caso isso aconteça, o Amazonino vai levar o seu grupo para a agremiação, onde o Stones e o seu grupo não teria espaço. Ô rapaz tolo! É mais fácil trazerem de volta o Paulo D’Carli para a presidência do PDT. Olha mano, com eles, traidor é tratado na peia!

Por: Paulo Onofre

Jornalista (MTb 467)

Analista Político e Social

A DEVASTAÇÃO DAS NASCENTES EM IRANDUBA

Poluição dos rios, lagos e igarapés pode prejudicar o sítio arqueológico do município de Iranduba.
A construção de novas casas e o desmatamento contínuo em Iranduba, bem antes da construção da ponte sobre o rio Negro, está causando a poluição das nascentes dos igarapés e prejudicando a pesca no município. Para os moradores da cidade se as autoridades não encontrarem uma solução para o problema vai ficar difícil até mesmo criar peixe em cativeiro.

Esse problema ambiental seriíssimo tem que ser equacionado com urgência, pois com a evidência logística dessa obra, haverá naturalmente uma ‘corrida ao ouro’ provocada pela demanda imobiliária que será inevitável dentro do processo de desenvolvimento sem freios que o município vem sofrendo com a especulação antecipada.

Comparativamente, o bonde sem freios da poluição, passará também pelo perímetro urbano de Iranduba, provocando uma total desordem de euforias bizarras que o povo pacato dessa região metropolitana presenciará com perplexidade e sem soluções, pois até hoje o governo ou a iniciativa privada traçaram algum resultante de equilíbrio para a situação caótica que está acontecendo nesse município. A continuar assim Iranduba passará a ser uma mais uma cobaia municipal dos erros e vícios recentes que ocorreram em nossa capital.

É certo que inúmeros benefícios também virão para repontar no horizonte da vida municipal trazendo a claridade de um novo dia. Mas o progresso sempre traz nas axilas sudoríparas da sociedade muita coisa ruim e desagregadora como o mau cheiro das desumanidades: tráfico, tóxico, prostituição, pedofilia, roubo, assassinatos, corrupção..., dentre outras mazelas metropolitanas.

A Secretaria da Região Metropolitana de Manaus (SRMM) bem que poderia elaborar um estudo sócio-ambiental visando combater essa evidência loquaz por que passa o município dos sítios arqueológicos. Iranduba ainda é um espaço onde a poluição social e ambiental caminham a passos de tartaruga. Precisamos tomar providências para prevenir a possível devastação dos bons costumes do nosso povo, como também a preservação ambiental da florestal natural desse município produtor de pescado e produtos hortifrutigranjeiros. Do jeito que vai, a devastação poderá virar um ‘trem bala poluidor’ para atropelar o equilíbrio florestal da biota irandubense.

Iranduba não pode perder essa vocação produtora desde que sejam estabelecidas, preventivamente, premissas e diretrizes cabíveis com o desenvolvimento eco-florestal do município.

Acontece que os piscicultores já estão sofrendo na pele a poluição das nascentes fluviais, pois em água podre, nem bodó - que é o gari dos rios -, agüenta a inhaca de macaco prego que exala do sovaco surreal das nascentes poluídas. Vôte!

Por: Paulo Onofre

Jornalista (MTb 467)

Analista Político e Social

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O BOM FILHO À CASA PATERNA VOLTA

Sabino fumou o cachimbo da paz com Amazonino.
Tenho um velho costume de, ao final da tarde, sentar-me em uma velha cadeira de vime na porta de casa, um costume antigo, dos tempos da minha infância quando morava em Óbidos onde, no início da noite, moradores reuniam-se nas casas de vizinhos para tomar um saboroso café torrado no fogão à lenha que, colocado no pilão, era transformado em pó com gosto inigualável. Entre um café e outro ouvíamos as notícias vindas por meio de um velho rádio da Semp, era a hora do Repórter Esso - naquela época a televisão não havia chegado para aquelas bandas.

Morando em Manaus há 35 anos, não abandonei o costume e, diariamente ao final do dia, tenho a companhia de amigos e vizinhos e o assunto em pauta é política. Tenho uma vizinha chamada Elza que é a mais falante do grupo. Lembro que durante a última campanha eleitoral para Prefeito ela chamava atenção de todos quando defendia, com unhas e dentes, o retorno de Amazonino para a Prefeitura.

Ao final das eleições a vitória foi do MAZOCA, como o Prefeito é chamado pelos seus amigos mais chegados. Como trabalhei para o SERAFIM, passei a ser alvo de gozações e ‘tiração’ de sarro quando os meus amigos diziam que meu candidato não perdera as eleições para Amazonino e sim para os buracos: uma alusão ao estado que as ruas de Manaus se encontravam quando das eleições.

Passaram-se meses e nada do atual Prefeito dizer para que foi eleito, sua promessa principal era que em seis meses iria tirar todos os ônibus velhos de circulação não mais haveria ‘caracecos’ circulando pelas ruas de Manaus.

Dois anos e cinco meses e nada de ônibus novos, continuam as mesmas latas velhas, e o mais agravante é que diariamente cerca de dez ônibus dão pane e ficam nas vias públicas atrapalhando o trânsito que já e caótico em nossa cidade. Se isso não bastasse um de seus maiores inimigos é a sua cria política, ou seja, o Deputado Federal Sabino Castelo Branco, que durante a campanha para Prefeito foi seu maior aliado.

E a criatura se vira contra o seu criador. Ao longo da vida política já assistimos esse filme várias vezes, só mudam os personagens, senão vejamos: Plínio Coelho cria politicamente Gilberto Mestrinho que, anos depois, se transforma inimigo do Ganso do Capitólio; Gilberto Mestrinho cria Amazonino Mendes que se torna inimigo do Boto; Amazonino Mendes cria três filhotes políticos de uma tacada só: Eduardo Braga - este sequer fala ou cumprimenta Mazoca quando se encontram em eventos -, Alfredo Nascimento, se sente o ‘rei da cocada preta’ e deu as costas para Amazonino e Omar Aziz, que vez ou outra menciona sua gratidão pelo seu padrinho político mas fica somente nisso.

Dona Elza quando interpelada sobre a administração do Prefeito, diz que continua descontente mais acredita na recuperação do Mazoca, e fala em alto e bom tom que não perdoa os traidores referindo-se ao Deputado Sabino, pois diariamente larga a peia em seu programa diário de televisão, criticando o Prefeito. Sentado numa cadeira tomando seu suco de cupuaçu está o Arquimedes, caladão e sempre comedido pede a palavra e diz para a Elza não se iludir com essa briga de bastidores porque tudo isso é teatro e que eles vão se acertar para as eleições do próximo ano e o cachimbo da paz vai ser fumado com a participação do grupo político do nobre edil, na Administração Municipal, talvez quem sabe será agraciado com duas Secretarias do Município, que com este mimo será aplacada a ira do apresentador que tem como objetivo somente colaborar como a administração do MAZOCA.

Após a fala do ARQUIMEDES, minha vizinha introverteu-se e despediu-se e foi embora passou alguns dias sem participar do bate-papo. A bem da verdade começamos a sentir falta de nossa falante colega, foi quando em uma noite a vimos caminhar vagarosamente, aproximou-se e cumprimentou os amigos e se dirigiu ao Arquimedes e disse que ele tinha razão porque o MAZOCA e SABINO fumaram o ‘Cachimbo da Paz’. Indagada porque chegou a essa conclusão, ela respondeu que faziam quinze dias que o Sabino não largava a ‘lenha’ no MAZOCA, acreditando com isso que estão vivendo uma lua de mel política.

E a gente fica aqui brigando por esses caras e na calada da noite eles ficam se acertando por aí. Daqui para frente a última coisa que quero falar é de política porque minha decepção foi muito grande, tanto que nas próximas eleições não vou votar em ninguém, prefiro pagar multa, vou pedir que a população vote NULO.

Este é o recado que vai para os políticos de pessoas simples como dona Elza, fazem autocrítica e sabem quando erram na escolha de seu candidato, no mínimo MAZOCA, não perdeu somente o voto de sua ex-eleitora fiel, como também de seus familiares, sem esquecer que ela vai andar pelo bairro de Santo Antonio, onde mora, largando a pua no Prefeito e no Deputado Sabino, contando o fato e propagando seu projeto do voto nulo.

Por: Paulo Onofre

Jornalista (MTb 467) e Analista Político e Social



terça-feira, 31 de maio de 2011

O PDT é amarelo e Amazonino é negro

Resposta Pedetista

Manifesto Encontro das Águas

O PDT é amarelo e Amazonino é negro. E como as águas do Rio Negro e do Rio Solimões, não se misturam de maneira nenhuma, devido as próprias circunstancias químicas, embora desse duelo político, resulte o espetáculo magnífico do Encontro das Águas, um dos mais belos cartões turísticos do mundo.

Este Manifesto não quer tapar o sol com a peneira, nem deixar de reconhecer o traquejo político do atual prefeito de Manaus, que foi Mestre de Eduardo Braga, Alfredo Nascimento e Omar Aziz, reconhecemos sua sagacidade e artimanha loquaz, pois ele é quase perfeito nas práticas recomendadas por Maquiavel.

Porém sua entrada no Partido de Leonel Brizola, Darci Ribeiro, Cristovam Buarque, e outros patriotas éticos de nosso país, não é bem vinda, haja vista a embocadura do personagem intrínseco ser aguda, furona, amolada demais em suas espertezas, e o PDT que é um partido grande de refulgência nacional, ser uma sigla humilde, quase messiânica, apenas preocupado com as resultantes democráticas de legalidade, paz social e bem estar entre as pessoas.

Você não é bem vindo, Amazonino. Não venha, o PDT não é seu ninho. Nós daqui não moveremos uma pedra para recebe-lo, pois quando você era ainda um jovem idealista e comunista, talvez o acolhêssemos como irmão, mas agora não, você virou uma combinação de Papa Doc, Stalin e Sadam Hussein, aí fica difícil aceitar o monstrengo com corpo de Torquemada e alma cabocla de franciscano disfarçado.

Veja bem, Amazonino, você já foi o grande líder do povo amazonense, eleito e reeleito varias vezes governador e prefeito, mas isso já passou. E a culpa de sua derrota no coração e na consciência do povo, é sua, você infelizmente deixou de amar o povo que tanto lhe amou. Por isso sua atual administração é um desastre.

Paciência, agora é tarde. Você que comprou tantos políticos, agora chegou a sua vez der ser vendido e traído pelos próprios companheiros. É a vida rapaz. Quem planta colhe.

Agora preste atenção: tire o PDT da sua cabeça, nós somos cidadãos e cidadãs brasileiros, comprometidos com a ética, legado deixado para nós pelo saudoso companheiro Jefferson Peres, um político símbolo da moralidade nacional.

Nossas águas jamais se unirão, como o negro e o amarelo do Encontro das Águas.

Por favor, Prefeito, respeite a honra e a beleza da nossa simplicidade democrática.


Paulo Onofre,
Um pedetista liberal