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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

OMAR “JOGA A TOALHA”




OMAR “JOGA A TOALHA”

O eleitorado de Omar Aziz (PSD) está desencantado com o seu desempenho a frente do governo do Amazonas. Esta manifestação resulta da não afirmação de sua liderança como direção política no Estado parecendo invisível no cenário local e nacional. Será que ele jogou a toalha mesmo, optando viver a sombra? Se isto for verdade, o que isto significa para o futuro político do Amazonas? Ou quem sabe, é caso pensado?

Estas e outras perguntas são feitas pelos especialistas que fazem de tudo para “descascar esse abacaxi” e compreender esse fenômeno tanto para o presente como para o futuro. Um dos marcos desse percurso foi a escolha da Deputada Federal Rebeca Garcia (PP) para a prefeitura de Manaus, indicação esta que foi atropelada pelo ex-governador Eduardo Braga (PMDB), deixando Omar Aziz sem chão.

Outro marco significativo foi a demissão do Secretario da Educação, Gedeão Amorim, que se envolveu numa trama política partidária afrontando a legislação eleitoral. Aceito sua demissão, o governo Omar Aziz passou 30 dias para escolher o novo secretário e finalmente, a nomeação não correspondeu à expectativa de sua agremiação por se tratar de uma Secretaria com maior musculatura em todo o Estado.   

Os fatos denunciam certa complacência do governador Omar, em não querer entrar em bola dividida com o senador Eduardo Braga, aceitando, dessa feita, a condição de subalternidade no cenário político local.

Estas e outras condutas fazem pensar que o governador Omar Aziz, realmente, jogou a toalha, cumprindo simplesmente as ordens do ex-governador Eduardo Braga.  Nessa teia política, parece que o governador Omar Aziz está muito mais para os repteis do que para as águias.

Se assim for, as eleições municipais também podem ser uma grande armadilha para Omar Aziz, tornando-se refém de Eduardo Braga por não saber reordenar a política e muito menos garantir confiança e a credibilidade a sua tropa. O que faz com que seja debitado para o ex-governador todo o mérito da política local; os males, por sua vez, serão creditados na história a Omar Aziz, aquele que foi sem ter sido.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Luiz castro exalta o “Jaraqui” na tribuna da ALEAM


Castro destacou ainda como valiosa a contribuição do professor Ademir Ramos, do militante político Paulo Onofre e de lideranças populares que promovem o projeto.
A tribuna popular retomada pelo Projeto Jaraqui, aos sábados na Praça da Polícia, foi destacada na Assembleia Legislativa do Estado (ALEAM), na quinta-feira (20), pelo deputado Luiz Castro (PPS) como canal de expressão democrática da sociedade, que tem como finalidade ampliar a cidadania através da discussão dos problemas políticos do Estado.
Idealizado no final dos anos 70 como fórum popular de discussão das questões amazônicas e de combate à ditadura militar, o projeto foi retomado em abril deste ano como um observatório político para discutir temas atuais como corrupção, meio ambiente, cidadania e a necessidade de novos parâmetros para a política brasileira.
"É a retomada de uma vanguarda para a discussão de problemas do País, com espaço para manifestação popular", ressaltou. Castro avalia que o fato de o cidadão comum ter liberdade para se manifestar, torna os debates naquele espaço púbico relevantes, garantindo legitimidade para reverberar os problemas que afligem diretamente a população.
O deputado Luiz Castro, que já participou várias vezes dos debates realizados aos sábados pela manhã (das 10 às 12h) na Praça da Polícia, destacou o Projeto Jaraqui como manifestação da verdadeira democracia.  "É a expressão de uma cultura em defesa da democracia. Um ato de resistência popular", completou.
Para o deputado é preciso que o Projeto Jaraqui ganhe mais apoio e reconhecimento pelo trabalho que desenvolve na disseminação dos direitos de cidadania entre os vários segmentos sociais. Castro destacou ainda como valiosa a contribuição do professor Ademir Ramos, do militante político Paulo Onofre e de lideranças populares que promovem o projeto.
O “Jaraqui”, segundo Castro, não tem vínculo partidário, embora esteja aberto à participação de políticos que ajudam na discussão de temas de interesse coletivo. O projeto conta ainda com apresentação musical nos intervalos dos debates e se mantém com a contribuição espontânea dos participantes.

Mensalão

Neste sábado, a partir das 10h, o Projeto Jaraqui vai discutir o julgamento do Mensalão como marco jurídico, na luta contra os escândalos de colarinho branco, e pela punição aos casos de corrupção praticados por políticos. “A partir desse julgamento, os políticos vão pensar duas vezes antes montar esquema de desvio dinheiro público e a população vai confiar mais na Justiça brasileira” destacou o deputado Luiz Castro.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Quando o setor privado faz política pública - e a sociedade ganha (mesmo)





Ana Carla Fonseca (*)

Escaldados que estamos por parcerias público-privadas em que alguns ganham e todos pagam e por operações urbanas de transparência questionável, entendo que o título acima possa suscitar muxoxos. Mas, se a cidade de amanhã se faz com as ações que tomamos hoje, nada melhor do que beber uma bela dose de otimismo, diretamente da fonte de experiências que nos lavam a alma.

Mundo afora, brotam casos de investimento privado em políticas urbanas, sociais e até de saúde pública que, com abordagens inovadoras e compromissos de longo prazo, transformam bairros, oferecem oportunidades de inclusão socioeconômica e, além disso tudo, são bons negócios. Quimera? Utopia? Nada disso! Preparem as malas mentais, para uma pequena peregrinação por iniciativas criativas.

Incensada por sua criatividade e por ter sido o estopim do debate (e da prática) da economia criativa, Londres segue à risca a intenção de se tornar o polo criativo do mundo. Nessa pauta, cabe tudo - de programas de economia criativa transversais às várias pastas de governo, a projetos de reinserção de áreas esgarçadas do tecido urbano. Caso emblemático é o da Tate Modern, museu de vanguarda e ícone visível de um processo de transformação da região de Southbank. Mas o caso que mais chama a atenção, por ser investimento privado com impacto social, é o da Old Truman Brewery.

Com raízes que remontam a 1666, a antiga fábrica de cerveja já foi a maior da cidade, no áureo século 18. Quando fechada, em 1988, lançou o bairro em um misto de desânimo e decadência. Até há cerca de 15 anos, quando o grupo The Zeloof Partnership comprou o conjunto de edifícios patrimoniais e os converteu em um microcosmo que emana economia criativa por cada um de seus 45 mil m2. Lar de 250 empreendimentos criativos das mais diversas ordens - lojas, galerias, mercados, bares, restaurantes, ateliês, escritórios, casas de eventos -, a Old Truman Brewery é um ecossistema de trabalho, lazer e efervescência, além de ímã de turistas de todo o mundo.

Investimento 100% privado, não apenas é um excelente negócio, como gera impactos econômicos, sociais, turísticos e urbanos que se irradiam por toda a região.

Outra história de derrocada e ascensão nos chega da holandesa Eindhoven. Conhecida pelos amantes do futebol por dar nome a um time de primeira, a fama da cidade foi construída graças à instalação, em 1891, da primeira fábrica da Philips. Nas décadas seguintes, o complexo de invenção e produção da empresa só fez crescer. Às lâmpadas às quais ainda hoje associamos o nome Philips vieram se somar outras invenções, saídas das pranchetas e dos laboratórios ali instalados: vidros, rádios, CDs, cerâmicas e muitos outros fizeram a glória da cidade e atraíram profissionais de todos os cantos do mundo.

Com a migração das fábricas da Philips para outros países, no doloroso processo de desindustrialização, sobraram para a cidade um contingente de desempregados e um complexo de fábricas desocupadas, a poucos minutos do centro. Em 2004, a incorporadora imobiliária Trudo e dois parceiros (a construtora VolkerWessels e a Prefeitura de Eindhoven) compraram o Strijp-S, um complexo de 66 acres, onde a Philips produziu de tudo. O que surgiu disso foi um plano inovador de reutilização do espaço, que hoje abriga um parque de skate, inúmeros escritórios de design e arquitetura, gravadoras musicais, ateliês de artistas, salas de eventos e exposições e toda a multiplicidade de empreendimentos que formam um ambiente criativo.

Atraídos pela vivacidade do lugar, pela disponibilidade de espaço e pelos aluguéis convidativos, profissionais descolados de Amsterdã e Roterdã passaram a considerar a outrora modorrenta Eindhoven um celeiro de possibilidades. Quanto mais pessoas criativas moram em uma cidade, mais criativa ela passa a ser; quanto mais criativa é uma cidade, mais profissionais criativos ela atrai. Por isso a Trudo tem na mira o lançamento de 240 apartamentos acessíveis em estilo loft, um mercado de alimentos regionais, um parque que lembra o High Line de Nova York e uma série de containers que servirão de locais de experimentação para artistas. Quebrando com a lógica das incorporadoras tradicionais, a Trudo conseguiu não apenas catalisar um processo de transformação da cidade, como concretizar um excelente negócio (a expectativa da empresa é de, na próxima década, ao menos dobrar seu portfolio imobiliário, hoje avaliado em 200 milhões de euros).

O exemplo mais apetitoso, porém, nos chega da pequenina comunidade de Sant Benet de Bages, encarapitada nas montanhas da Catalunha. Nela, o premiado chefe Ferran Adrià dirige desde 2007 a sede da Fundación Alicia, criada por parceria entre o Governo da Catalunha e o banco Caixa Manresa. O nome não é uma homenagem à musa do artista, mas sim o casamento de duas de suas paixões: ALImento e ciênCIA. A Fundação é um centro de pesquisas gastronômicas e inovação tecnológica, que une ciência, cultura, sociedade e gastronomia, para promover a alimentação saudável e não por isso menos atraente.

Além das pesquisas alimentares para combate aos males que nos afligem - diabetes, anorexia, hipertensão etc. -, a Fundação oferece inúmeras oficinas de conscientização de crianças, jovens e adultos, que usam e abusam da ludicidade e do encantamento. É impossível resistir à gincana das frutas, ao concurso de exercícios retribuídos por avelãs em igual número de calorias ou à vivência que atiça os cinco sentidos. Afinal, se inovação se baseia em criatividade, despertá-la é fundamental para a pessoa, a sociedade e a economia.

Três experiências distintas e inspiradoras, como tantas outras que podemos garimpar em todos os continentes. Sob medida para os que defendem que benefícios econômicos, sociais e urbanos só funcionam quando somam forças.

(*) É economista e urbanista, consultora e palestrante internacional pela Garimpo de Soluções.